LIVROS E BICHOS

Este é o blog da Tércia Montenegro, dedicado preferencialmente a livros e bichos - mas o internauta munido de paciência também encontrará outros assuntos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Conto no Cândido

Amigos,

Está disponível para leitura, no site do jornal Cândido, da Biblioteca Pública do Paraná, o meu conto Um gesto raro, com lindas ilustrações de José Aguiar. O acesso se faz pelo endereço http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=316

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oggi i domani


Casa de Cultura Italiana comemora 50 anos com aula-show e concerto nesta semana


A Casa de Cultura Italiana, vinculada à Universidade Federal do Ceará, promove programação especial alusiva a seu cinquentenário. Nessa quarta-feira (20), às 18h30min, será realizada aula-show com o cantor e multi-instrumentista italiano Vittorio de Scalzi, acompanhado dos músicos Armando Corsi e Edmondo Romano. O evento acontecerá no auditório José Albano, do Centro de Humanidades (Av. da Universidade, 2683 – Benfica) e é aberto ao público.
Na quinta-feira (21), às 20h, Vittorio e seus companheiros de banda apresentam o concerto "Il Suonatore Jones" no Theatro José de Alencar, com a participação especial da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho. Ambas as atividades fazem parte do Ceará-Itália Festival, uma realização do Vice-Consulado Honorário da Itália de Fortaleza, cujo objetivo é estreitar os laços entre os povos cearense e italiano, por meio da divulgação da cultura e da música.
Mais informações podem ser acessadas no endereço eletrônico cearaitaliafestival.com.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sustos de crônicas

Amigos,

Hoje saiu esta matéria, "Sustos de crônicas", no Vida & Arte, relativa à palestra (seguida de lançamento do meu livro Os Espantos) que farei logo mais, na UniChristus. Quem quiser ler, pode clicar em
http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2013/02/18/noticiasjornalvidaearte,3007248/sustos-de-cronicas.shtml

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O anti-carnaval de Curitiba

Amigos,

Para quem quiser um testemunho de alguém "de dentro" da cidade, recomendo o divertido texto do Tezza, no site abaixo:

http://www.cristovaotezza.com.br/textos/contos/p_carnavalcuritiba.htm

A minha impressão - de viajante de um dia chuvoso, apenas - não foi tão detalhada. Mas durante o passeio no ônibus turístico, garanto que me espantei com o deserto das ruas e o silêncio geral (exatamente o que eu buscava, aliás). Prova disso é a foto abaixo, um clique do centro de Curitiba em plena segunda-feira carnavalesca.

Aguardem postagens sobre minha estada em Prudentópolis - a Ucrânia brasileira!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O que desaparece


O QUE DESAPARECE

            A Nova antologia do conto russo, recentemente publicada pela editora 34, sob organização de Bruno Barreto Gomide, traz muitas histórias que precisam ser lidas, por motivos vários – quando não pelo embevecimento, pela forte reflexão que contêm. Neste último caso, enquadra-se “Liompa”, de Iuri Oliécha: não é exatamente um conto perfeito em composição literária, mas consegue despertar pensamentos com impacto e consistência.
A história trata de um moribundo, um velho a quem sobrevêm delírios em meio aos fragmentos de lucidez. Num desses instantes, lê-se a respeito de como a doença proibiu coisas antes tão corriqueiras ao personagem – e então foi como se as coisas se tornassem fantasmas, sonhos de outra existência: “Num único dia desapareceram sua rua, seu trabalho, o correio, os cavalos. De súbito, o desaparecimento chegou bem perto dele: o corredor se esgueirou de seu poder e em seu próprio quarto, bem debaixo de seus olhos, cessou o significado do sobretudo, do ferrolho da porta, dos chinelos. Ele sabia: a morte, em seu caminho até ele, ia anulando as coisas.”
Pois não é mesmo assim? À medida que uma pessoa envelhece, as coisas vão desaparecendo para ela, vão se tornando abstrações ou meros nomes de objetivos inalcançáveis. Países estrangeiros, profissões diferentes, aventuras, o próprio emprego – tudo isso fica destinado aos demais, aos que ainda “são ativos” ou se arriscam, têm pouca idade e juízo. Talvez muitas dessas experiências não façam falta à maioria dos idosos. Creio até que eles podem se satisfazer (ou se conformar?) com uma rotina. Afinal, há projetos que a gente perde sem lamento, quando percebe que eram ilusões ou correspondiam infimamente ao que se idealizou. Mas é triste saber que numa determinada época os planos se tornam impossíveis, desaparecem da perspectiva. E o que desaparece só aumenta, se é possível dizer isso. Com a longevidade ou a doença, o mundo se reduz, cabe num quarto. As ruas não são vistas; logo, parecem não existir. As roupas perdem a utilidade, os assuntos ficam repetitivos, os rostos novos já não surgem.
Tenho um amigo cujo pai é quase centenário e praticamente perdeu todos os prazeres sensitivos, exceto beber água, bem gelada. O resto das atividades – comer, banhar-se, ler algo, andar (sempre com assistência) – ficou doloroso ou cansativo demais. Beber água é seu único gesto de alegria pura, satisfação e liberdade. Penso nesse homem condenado a ver o mundo desaparecer, enquanto seu próprio corpo prepara também um afastamento, lentamente vai minguando as chances para si. A única coisa que deve impedi-lo de ofender a vida como um processo cruel, é o seu passado. Ele tem a possibilidade de dizer, em relação ao que deseja: eu já fiz isso – ainda que por um tempo mínimo, comparado ao que queria.
            É esse o projeto de velhice que cada um deveria ter: a construção de um rico passado. Se não se pode aprisionar o tempo, que ao menos ele seja gasto ao máximo, antes que desapareça.

Tércia Montenegro (crônica publicada hoje no jornal O Povo. Disponível também no site.)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A arte de ler com gatos

Encontrei essa divertida (e muito fiel) sequência de imagens num site que a amiga Lívia me indicou. Infelizmente, não soube quem era o/a artista por trás da assinatura "JR" - mas isso não é razão para deixar de prestigiar sua obra.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Gatos

"Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria ser reconduzida, não existe melhor definição para a alma do felino. E de certas pessoas que falam pouco e olham. Olham. Cavilosidade sugere cuidado, cave - aquele recôncavo onde o vinho envelhece. Na cave o gato se esconde, ele sabe do perigo. Mas o cachorro se expõe, inocente."
"(...) indolente, companhia voluptuosa dos contemplativos. Das bruxas cismarentas. Dos amantes da idade da razão e depois ainda, memória e cinza. Amei meu gato quando descobri Baudelaire, viens mon chat, sur mon coeur amoureux..." (Lygia Fagundes Telles)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O comércio do medo


O COMÉRCIO DO MEDO

Aviso a quem quiser saber que não sou ingênua e leio jornais – portanto, conheço a situação de violência que persegue nossa cidade e, por que não dizer, o mundo inteiro. Sobram casos de agressão, para quem gosta de notícias sangrentas. Mas o problema não está no indivíduo com curiosidade mórbida, que se compraz em chafurdar na angústia (embora os psiquiatras talvez digam que aí existe, sim, um problema); o grande transtorno é a comercialização do medo, expressão que já se vê no roteiro do filme Do mundo nada se leva – um clássico, sábio como todos os clássicos.
 O comércio do medo revelou-se para mim de forma nítida no dia em que fui comprar um carro. A moça da concessionária não ficou satisfeita quando apontei um veículo básico. Insistiu na necessidade de acessórios como rastreadores, travas elétricas, fumê resistente a impacto (e mostrou um vídeo com um suposto assaltante fracassando em atirar contra um carro bem preparado). Respondi que nunca tivera essas coisas e não me faziam falta, nada jamais tinha me acontecido. Então a moça pôs as mãos na cabeça: “Porque a senhora é uma abençoada de Deus! Mas e se isso muda? Sem um alarme e um bloqueador, o que a senhora vai fazer?”
Preferi pensar – e nisso não me frustrei – que continuaria sob as bênçãos divinas. Não comprei qualquer dispositivo para pânico em automóveis, e da mesma forma não aceito ofertas de seguradoras que vêm me prevenir (através de funcionários aflitos e supostamente preocupados com minha integridade) a respeito de incêndios em prédios, desastres súbitos que me arruínem a moradia ou saúde, imagine! sem um benefício financeiro para compensar os destroços.
Acho que sou crítica demais e até intolerante com esses profissionais, mas se existe uma coisa que não suporto é a manipulação pelo medo. Que o comércio seduza por artifícios enganosos, promessas de felicidade e sucesso, vá lá; a gente não se ilude, mas entende que é parte do jogo. Afinal, desde épocas remotas um vendedor exagera ou mente sobre a qualidade de um produto, para conseguir sobreviver no mercado. O que fazemos, porém, nesta época em que cercas elétricas e câmeras “de segurança” vendem muito mais do que livros ou chocolate? Eu lamento pelos escravos do receio, que dizem amém a todos os artifícios – grades, cadeados, fechaduras – que vêm limitar sua leveza de viver. Se o medo é uma reação inevitável diante de ameaças, a forma de controlá-lo não está em qualquer dispositivo ou máquina.
Lembro que, na primeira vez em que vi o mar (eu tinha dois, três anos?), soltei um grito de terror, apavorada com aquela coisa infinita e ondulante – o tipo de grito que depois as meninas só têm permissão para dar diante de baratas, ou dentro de uma história hitchcockiana. Então o adulto que estava comigo (meu pai? minha mãe?) disse, para me acalmar, que o mar não viria atrás de mim: “E você não precisa entrar nele.” Foram as palavras mágicas, que eu agora resgato. Ninguém precisa entrar no medo.

Tércia Montenegro (crônica publicada hoje no jornal O Povo)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Rubem Grilo

Ganhando autógrafo no catálogo! Obrigada à Fádina, que clicou esta imagem e a enviou para mim.


Especialíssima a surpresa ontem, de encontrar no local da exposição (na Caixa Cutural) o próprio artista, Rubem Grilo, simpaticíssimo e - claro - por demais talentoso. Fiquei encantada com a sequência dos trabalhos, que já havia começado a ver na outra exposição, da Multiarte. Mas agora, com o acesso a algumas matrizes e um passeio pelas novas incursões, com colagens e desenhos, sinto que a arte do Grilo tornou-se ainda mais admirável! É, sem dúvida, um trabalho que não se pode deixar de conhecer - e, para quem está em Fortaleza, ficam as dicas:

Galeria Multiarte - exposição Rubem Grilo em duas dimensões (até 8 de fevereiro)
Caixa Cultural - exposição Rubem Grilo xilográfico (até 17 de fevereiro)

Alguns trabalhos dele também podem ser conferidos pelo site http://www.artepadilla.com.br/rubemgrilo/


Auscultador de pensamentos, 1999

sábado, 26 de janeiro de 2013

Ramilongas

Oba!
Hoje tem show do Vítor Ramil na Caixa Cultural!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Autobiografia do Chesterton


 Desde o ano passado que eu queria fazer essa postagem, sobre a Autobiografia do Chesterton - mas as leituras foram se sobrepondo, e o tempo escasseando... Enfim, agora encontrei uma brecha para recomendar esse livro, mesmo para quem ainda não conhece a ótima literatura policial deste inglês. É certo que a autobiografia tem algumas passagens espinhosas, com referências culturais e históricas muito específicas, mas no geral o texto é tão divertido que compensa demais! Aqui vão alguns trechos, para degustação:

"Essa foi uma excelente primeira lição, no que é também a última lição de vida: a de que, em tudo que importa, o interior é bem mais que o exterior. Estou feliz, afinal de contas, por ele [seu pai] nunca ter sido um artista. Isso poderia ter lhe dificultado que se tornasse um amador. Isso poderia ter destruído sua carreira - a sua carreira privada. Ele poderia nunca ter feito o sucesso vulgar que fez em todos os milhares de coisas que ele fazia tão bem." (pp.62-3)

"Quando ateus estúpidos vinham até mim e me explicavam que não existe nada além da matéria, eu ouvia com uma espécie de sossegado horror, de indiferença, suspeitando que não havia nada além da mente. Desde então sempre tive a impressão de que há nos materialistas e no materialismo algo de ralo e de segunda mão. O ateu me dizia tão pomposamente que ele não acreditava que existisse qualquer deus, e havia momentos em que eu não acreditava sequer que existisse algum ateu." (p.118)

"(...) nenhum homem sabe o quão otimista ele é, mesmo quando se proclama pessimista, porque ele não mediu de fato a profundidade de sua dívida para com seja lá o que o criou e o capacitou a proclamar-se qualquer coisa. Debaixo do seu nariz, por assim dizer, tem o homem uma esquecida chama ou explosão de espanto diante de nossa existência. O objetivo da vida artística e espiritual é cavar até essa submersa aurora de espanto, de modo que um homem sentado numa cadeira possa compreender subitamente que ele está realmente vivo - e então se sentir feliz." (p.121)

sábado, 19 de janeiro de 2013

Antanas Sutkus



Realmente este janeiro está fervilhando de cultura em Fortal: volto a falar de artes visuais neste blog (e isso porque não mencionei o teatro, com o ótimo A mão na face, do  Bagaceira, em cartaz no Sesc Iracema. Também estou reservando para um momento mais oportuno comentários sobre as xilos do Rubem Grilo e a peça A lição, com o Ricardo Guilherme). O encantamento deste sábado ficou por conta da visita ao espaço dos Correios (na rua Senador Alencar, 38, no Centro), para ver a exposição Antanas Sutkus - um olhar livre. Dentre todas as imagens comoventes e lindas, selecionei estas para convidar: quem ainda não foi ver, não perca essa mostra! Fica até o dia 9 de fevereiro.

P.S.: O meu grande abraço à amiga Lívia, que foi quem primeiro me falou dessas fotos. =)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Juan Diego - poesia andina

Está em cartaz, até o dia 31 de janeiro, a exposição fotográfica "Miradas", de Juan Diego Pérez Arias, no espaço cultural da Assembleia Legislativa (no 5º andar do novo prédio). Adorei conhecer as imagens deste artista que tão bem mapeia os olhares e lendas de sua terra. Fica-se com vontade de viajar imediatamente para o Equador, e não somente pela famosa Guayaquil e pelo Chimborazo, mas agora pela promessa do encanto desses vilarejos ancestrais que - eu não sabia - ainda existem com abundância.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O olhar poético




O OLHAR POÉTICO

            Para além da técnica, todo artista é dotado de uma percepção incomum – aquela que faz o escultor pressentir o objeto “guardado” na matéria bruta; a certeza que orienta o equilíbrio de cores na pintura ou indica ao fotógrafo qual cena capturada é única. Chamem de instinto, bênção ou iluminação – não importa o nome; existe essa marca que define e perpassa músicos, atores, bailarinos, poetas... A habilidade de extrair do real uma fatia de beleza que quase ninguém percebe: esse é o olhar poético, transformável e criativo. Na atual literatura cearense, a obra de Carlos Nóbrega é um dos melhores exemplos disso, e o seu mais recente título, Lápis branco (Guaratinguetá: editora Penalux), só confirma as expectativas de quem busca se abismar com bons versos.
            É assim, pela mão do poeta, que enxergamos o gato, animal feito “de dengo, pelo e preguiça”: “Talvez seja bicho de seda/ ou alma andando de quatro/ Pois pisa a Terra e não pesa/ e se evapora em um salto./ É mais mistério que fato,/ direito e avesso de grave,/ E como o mistério/ É visível, /Existe, mas é improvável.” Vemos as carnaubeiras, que “dão asteriscos verdes ao ar ido”, e sabemos que um botão de rosa se contorce, para fazer “origami de si mesmo”. O passeio pela vida, com as pequenas coisas da cidade, luzes e sombras, memórias e tristezas, vem como um sobressalto a cada página – o poeta desnovela as palavras, querendo “não doer”.
            O olhar poético se exercita na travessia entre mundo e linguagem. No caso de Carlos Nóbrega, inclusive, basta uma rápida convivência para notar em seu comportamento cotidiano essa expectativa do sublime, na atenção que dedica a seres e objetos que possa transfigurar em arte. Certa vez, num encontro com vários outros amigos, eu percebi que apenas ele observava a tatuagem de uma desconhecida sentada de costas para nós, no restaurante. O arabesco vertical, impresso entre as omoplatas, parecia a continuação de um penteado – um cabelo convertido em desenho. Carlos me apontou a cena, perguntando se eu achava que a moça tinha consciência daquele efeito estético. Disse que provavelmente não; ela fizera um rabo-de-cavalo displicente. Foi o olhar do poeta que enxergou (e criou) a metamorfose entre pelo e pele. Naquele instante, não interessava a moça, que permaneceu para sempre sem rosto ou identidade. O poeta meditava no arranjo de fios e traços, testando associações possíveis. Depois que o texto despertasse, Carlos Nóbrega devolveria um fragmento de beleza, traduzido e destilado, para que os distraídos percebessem: a arte vive no mundo, mas disfarçada.
            Após Outros poemas, Breviário, Árvore de manivelas e 8 verbetes, Carlos Nóbrega acrescenta, com Lápis branco, mais um livro à minha estante de favoritos. Nela estão as obras que me socorrem, trazendo claridade quando um dia ameaça acontecer em tom insípido.

Tércia Montenegro (escritora, fotógrafa e professora da UFC)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Cândido da BPP





Amigos,

O jornal Cândido, da Biblioteca Pública do Paraná, é (junto com o Rascunho) um dos veículos mais interessantes de discussão sobre literatura em nosso país. É possível ler suas matérias on line - e nesta última edição eu tive o prazer de encontrar o meu O tempo em estado sólido na seção Estante Nacional (em ótima companhia, com Ana Miranda, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles e outras mulheres escritoras maravilhosas). Quem quiser pode conferir em http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=309